quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Máquina Ruim

Vi este filme, O Expresso da Meia-Noite há muitos anos pois meu pai vivia dizendo o quanto tinha sido marcado por ele.
Fiquei muito impressionada e ele é muito bom mesmo.
Lembro de não ter entendido de primeira a cena que hoje mais me comove no filme e de ter perguntado ao meu pai o que ela significava..
Bom, não direi a resposta dele porque as imagens, a partir do minuto 2:48 mais ou menos falarão.
Inclusive acho que as falas na cena são redundantes pois as imagens são mais fortes.

Tudo bem. E o que isso tem a ver com os intermitentes, com a dança, enfim?
Na minha opinião essa cena - entre 2:48 até 4 minutos mais ou menos- diz muito sobre a pesquisa do coletivo, e mais, arrisco dizer sobre o que somos e o que queremos ser não apenas como artistas mas como gente mesmo.

Bom, no que a gente tem pesquisado agora, a questão do trabalho e da alienação do homem de sua própria atividade criativa e criadora, vem muito a calhar, a imagem dos mortos-vivos, e a questão de quem está louco e de quem é são.
A reprodução da vida cotidiana, ainda que em um grau seja necessária, sem reflexão se transforma num aprisionamento.
Eu me sinto aprisionada com esses moldes pré-estabelecidos da forma de viver.
Imagino que o Ed e a Natália também e espero seus depoimentos sobre isso.
O aprisionamento vem tanto se vc cumpre tudo à risca quanto quando vc tenta resistir e não consegue dialogar com ninguém.
O mundo parece querer te expelir e começa a pulsar, para que você, ESTRANHO, seja excretado. Ou ainda ele sussurra ao pé do ouvido: adapte-se, adapte-se.

Pra terminar: recebi recentemente um vídeo de um amigo muito querido, que sabendo da pesquisa do coletivo me mandou um trecho de coreografia do Philippe Decouflé chamada CODEX3, assim que eu vi lembrei do Expresso e da cena que me marcou.

Eis aqui os trechos:



A cena principal é a partir dos dois minutos e quarenta e cinco segundos.

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