terça-feira, 28 de setembro de 2010

Esta tal de dança contemporânea

Estou fazendo uma disciplina da pós em Artes na Unicamp, e a professora propôs que a gente apresentasse em cerca de uma hora um tema específico de acordo com o que vivemos e fazemos.
Eu fiquei encarregada, juntamente com a Clarissa, minha cara amiga que é tão desligada quanto eu e até agora não sabe onde fica o xerox, de falar sobre dança contemporânea.
OK. Até aí, tudo certo.

A tragédia foi perceber que eu não sei falar nada sobre aquilo que eu faço.
Me dei conta de que eu não sabia mesmo, e continuo sabendo muito pouco sobre dança contemporânea, em termos teóricos (práticos tb, mas menos...rs)
O que eu sempre fiz foi dançar, e atualmente com o Coletivo, passei a pesquisar, mas sempre na esfera da prática.

Bom, achei este pequeno artigo, que tem algumas definições básicas.
Ao menos é um pontapé inicial.

Segue o link do texto, que é curtinho: Esta tal de dança contemporânea

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Leon

Estou lendo um livro do Daniel Bensaid sobre os trotskismos, e eu, que já admirava muito essa figura do século XX, passei a admirá-lo ainda mais.

A citação é do Trotsky e no fim quem comenta é o Bensaid:

"A humanidade ainda não conseguiu racionalizar a sua história. É um fato. Não conseguimos racionalizar os nossos corpos e os nossos espíritos. A psicanálise tenta ensinar-nos a harmonizá-los. Sem grande sucesso, até o presente. A questão não é de saber se podemos esperar a perfeição absoluta da sociedade. Após cada grande passo a frente, a humanidade faz um desvio, e mesmo um grande passo atrás. Lamento-o, mas não sou responsável [risos]. mesmo após a revolução mundial, é bem possível que a humanidade esteja muito cansada. Para uma parte dos homens e dos povos, uma nova religião pode mesmo surgir, mas um grande passo não terá ficado por dar." Este combate solitário num jardim perdido dos subúrbios da cidade do México, é talvez o mais importante a seus olhos. Outubro podia ter tido lugar sem ele, talvez mesmo sem Lenin, já que enquanto a história avança na boa direção, ela encontra os homens de quem tem necessidade. É na derrota que nos tornamos insubstituíveis. Nos ventos contrários, os justos tornam-se raros.'

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

2+2=5

Esse é o nome da música do Radiohead que embalou nosso último ensaio no domingo à noite.
Sim. Domingo à noite. Sábados à noite viraram nossos dias de ensaio graças a nossa super compatibilidade de horários.
Diga-se de passagem, ensaios muito bons. De repente a coisa começa a andar, as ideais começam a aparecer. E o prazer de ensaiar também.
Para mim o Desculpe o Transtorno, que é nosso projeto de criação atual, tem muito da opressão da vida cotidiana e muito da nossa aceitação com relação à ela.
A sensação de desunião, e não apenas desunião, mas também de competição e de sadismo que perpassa as relações e sua aceitação desta situação como natural.
As imagens que vêm são muitas: a mecanização da vida, a esterilidade, a miséria não apenas material, a diferença entre sanidade e loucura, a resistência e sua possibilidade efetiva de existir, o esvaziamento da vida de maneira geral.
É uma necessidade para mim dançar isso, e é maravilhoso poder dançar e criar junto com outras pessoas que pensam e sentem essa pressão da vida que levamos.

Segue o vídeo do música, que ilustra bem o sentimento.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Máquina Ruim

Vi este filme, O Expresso da Meia-Noite há muitos anos pois meu pai vivia dizendo o quanto tinha sido marcado por ele.
Fiquei muito impressionada e ele é muito bom mesmo.
Lembro de não ter entendido de primeira a cena que hoje mais me comove no filme e de ter perguntado ao meu pai o que ela significava..
Bom, não direi a resposta dele porque as imagens, a partir do minuto 2:48 mais ou menos falarão.
Inclusive acho que as falas na cena são redundantes pois as imagens são mais fortes.

Tudo bem. E o que isso tem a ver com os intermitentes, com a dança, enfim?
Na minha opinião essa cena - entre 2:48 até 4 minutos mais ou menos- diz muito sobre a pesquisa do coletivo, e mais, arrisco dizer sobre o que somos e o que queremos ser não apenas como artistas mas como gente mesmo.

Bom, no que a gente tem pesquisado agora, a questão do trabalho e da alienação do homem de sua própria atividade criativa e criadora, vem muito a calhar, a imagem dos mortos-vivos, e a questão de quem está louco e de quem é são.
A reprodução da vida cotidiana, ainda que em um grau seja necessária, sem reflexão se transforma num aprisionamento.
Eu me sinto aprisionada com esses moldes pré-estabelecidos da forma de viver.
Imagino que o Ed e a Natália também e espero seus depoimentos sobre isso.
O aprisionamento vem tanto se vc cumpre tudo à risca quanto quando vc tenta resistir e não consegue dialogar com ninguém.
O mundo parece querer te expelir e começa a pulsar, para que você, ESTRANHO, seja excretado. Ou ainda ele sussurra ao pé do ouvido: adapte-se, adapte-se.

Pra terminar: recebi recentemente um vídeo de um amigo muito querido, que sabendo da pesquisa do coletivo me mandou um trecho de coreografia do Philippe Decouflé chamada CODEX3, assim que eu vi lembrei do Expresso e da cena que me marcou.

Eis aqui os trechos:



A cena principal é a partir dos dois minutos e quarenta e cinco segundos.